Liberdade Traiçoeira

*Primeiro conto que escrevo nesse blog.

 

Liberdade! Ah, a liberdade! Poder voar por aí, buscando seu alimento, parasitando de outros seres o seu rubro elemento vital. Ainda mais nas cidades, onde seus predadores não chegam, nem os alcançam com suas línguas nojentas e grudentas.

         Até que um dia, numa distraída busca por alimento, sente esbarrar em cordas, tecidas em rede. Que confortável! É tão aconchegante que nem se lembra mais de sua fome. Mas, par, vem outro para a acompanhá-lo a mesma rede, como se já conhecesse tal lugar. Este outro vem com olhos brilhantes, presas agitadas, como se estivesse... FAMINTO!

         Então se percebe que quem vem não quer acompanhar, mas sim, jantar. No mesmo instante, o primeiro bate as asas freneticamente para sair logo da tal rede, mas, quanto mais tenta sair, mais a tal rede se emaranha em suas patas, o impedindo de ir embora.

         A melhor e única maneira é enfrentar o problema de frente. Olha nos olhos do ser que se aproxima, mas o medo e a raiva fluem numa onda súbita e volta a se debater.

         Este outro chega toca em suas patas com rápida habilidade e, o que a princípio parecia um toque, foi na verdade várias laçadas seguidas que prenderam duas de suas patas. Ele sobe com uma ponta da corda que prende sua vítima e logo volta, “tocando” novamente outras duas patas, restando ainda duas patas e as asas, na qual a vítima continua a se debater.

         Nesse vai e vem rápido, preciso e repetitivo, o outro vai aos poucos o prendendo cada vez mais à sua rede, deixando-o cada vez mais imóvel. Por mais que esteja preso, a vontade de viver faz com que a vítima continue cada vez mais tentando soltar-se, mesmo em vão.

         Depois de totalmente preso, o ser faminto leva sua vitima para cima, no ponto mais alto de sua rede, e mesmo totalmente sem ação, a vítima de debate com seus membros presos ao corpo.

         Vendo a dificuldade de poder elevar a vítima, o ser se aproxima com dificuldade da presa e, como que com uma agulha, crava suas presas em sua vítima, rasgando leve e sutilmente a pele, inoculando seu veneno fatal.

         A vítima sente o veneno correr pelo corpo, como se fosse um fogo a lhe queimar por dentro, seus membros formigando, sua cabeça girando, seus olhos com uma pressão muito grande, como se fosse sair das órbitas, tudo começa a ficar branco e, de repente, tudo passa, está morta.Friamente o ser eleva sua vítima ao ponto mais alto. Sente a fome apertar-lhe por dentro. Envolve-a com suas patas, num abraço cruel, crava novamente suas presas no corpo, dessa vez não para inocular veneno, mas para sugar tudo que o veneno, com sua acidez, corroeu por dentro tornando-o líquido.

         E assim, a aranha se satisfaz com o pernilongo.

 

 

Era uma vez...

Era uma vez um sonho...

... E o sonho se acabou.

Era uma vez uma vida...

... E a vida se matou.

Era uma vez a eperança...

... E a esperança se perdeu.

Era uma vez o amor...

... E o amor se esqueceu.

 ***

Era uma vez um pesadelo...

... E o pesadelo então voltou.

Era uma vez a morte...

... E a morte dominou.

Era uma vez o desespero...

... E o desespero cresceu.

Era uma vez o ódio...

... E o ódio então venceu.

***

Que sentimento restou,

Neste vazio ser humano?

Será que esta bela imagem,

Não passa de um mero engano?

E este coração gelado,

Contém algum sentimento?

Ou é um sepulcro fechado,

Empoeirado, jogado ao relento?

 ***

Era uma vez a palavra...

... e a palavra se apagou.

Era uma vez um verso...

... E o verso não rimou.

Era uma vez um poeta...

... E o poeta não escreveu.

Era uma vez um poema...

... E o poema ninguém leu...

DescriçãDescrição apaixonadao apaixonada

Seus olhos...

Que olhos?

Como posso deles falar,

Se pra eles eu nem consigo olhar!

***

Sua boca... Ah! Essa sim,

Dessa posso falar,

Pois é o que eu quero ter pra mim...

***

Sua face... Droga!

Nem lembrar dela eu consigo!

Pois tudo que me causa dor,

(mesmo dor de amor)

Meu coração não guarda comigo...

***

Enfim, você!

Mesmo sem olhos, com boca, sem face,

Amo você,

Por mais tempo que passe.

Amor Perdido

Quisera eu não ter acordado,

No dia em que te havia encontrado,

Quisera ter ensurdecido,

Para não ouvir o que me foi dito.

***

Era mais fácil que me esfaqueasse,

Que me matasse de uma vez,

Que ver-te indo embora,

Com alguém que disse amar-te talvez.

***

Na tristeza mergulha meu coração,

Envolvido estou na solidão,

Espero esquecer-te mesmo em vão,

Amar-te-ei onde quer que vão.

***

Jorra do meu coração,

Sangue docemente vivo,

Usurpando do meu ser,

De viver o motivo.

***

 

De meus olhos inchados,

Jorra algo transparente,

Deixando meus lábios salgados,

Imaginando-te presente.

***

Minhas mãos vagam no ar,

Trêmulas, enfraquecidas,

Querendo te tocar,

E mostrar-se assim queridas.

***

Meus pés pelas ruas vagam,

Sem rumo nem direção,

Na verdade te procuram,

Mesmo procurando em vão.

Dor de Amor

Meu coração palpita como se fosse infartar.

Minh'alma treme como se fosse me deixar.

Assim é a dor por tão cedo te perder.

Assim é a dor de só poder te ver.

***

Em minha cama deitado,

Seco, a saliva engolindo,

Choro e sofro calado,

Pensado no que estou sentindo.

Amor Nas Entrelinhas

Lendo livros, revistas e jornais,

  em todas as palavras vejo teu nome.

Andando na rua, olhando as pessoas,

  nos rostos todos vejo sua face.

Diante de todos os desejos que tenho,

  realizar apenas um me bastaria.

O desejo de partilhar de seus lábios

   e de ter-te me amando como eu te amo...

Doce Amor Amargo

Amar quem te ama,

Glorioso prazer.

Amar quem te ingora,

Tenebroso sofrer.

***

Amor correspondido,

Recompensa generosa.

Amor não entendido,

Penitência dolorosa.

***

Amar um desconhecido,

Prazerosa aproximação.

Amar o próprio amigo,

Fere a alma e o coração.

***

Dói na alma, coração geme,

Pensando em te amar.

Mãos suadas, corpo treme,

Querendo te abraçar.

***

Dia e noite, noite e dia,

Penso em ti sem nem parar,

Com tristeza ou alegria,

Penso sempre em te encontrar.

***

Mas como amar, se não me amas?

Se não me queres, como abraçar?

Como sentir, se não me sentes?

Se em mim não pensas, como eu pensar?

***

Sem motivo ou razão,

Sem sentido e explicação,

Só sei sentir, só sei pensar,

Só sei querer, só sei te amar.

***

E na esperança,

De ser amado,

Vivo aguardando,

Sempre ao seu lado.

Divina Beleza Humana

Olhos que mudam de cor,

Mudando  do verde ao mel.

Pele fina como flor,

Sua visão me eleva ao céu.

E no instante seguinte,

Corta o meu coração.

***

Me dói admitir,

Que nunca poderei conquistar,

Alguém de tal perfeição.

Minh'alma estremece,

Quando seus olhos me fitam,

Ao mesmo tempo me intimidam,

Como se lêssem,

Todos os meus pensamentos.

***

Seu semblante ilumindado,

É de divina origem.

A leveza de seus movimentos,

Chegam a me causar vertigem.

Nunca canso de olhar,

Harmonia sem igual,

Mi'a vontade é de ficar,

Horas somente a admirar.

***

Me confunde, sua visão,

Rasga a alma ao lembrar,

E saber que seu coração,

Não deve em mim pensar.

Como uma faca n'alma,

Martela o meu pensamento,

De não poder estar,

A admirar a todo o momento.

***

Como egípcia divindade,

Por Amon inspirada,

Transparecendo a bondade,

Em sua face delicada...

Amo, Odeio...

Te amo, me odeio,

Sem precisar explicar.

Me amo, Te odeio,

E isso não vai mudar.

***

Te amo, porque sempre amei,

Ou achei que fosse assim.

Me odeio, porque te abandonei,

Ao invés de dar-te um sim.

***

Me amo, por isso não volto atrás,

Porque foi como devia ser.

Te odeio, porque era falso,

E da nojo ter que te ver.

***

Não quero que entenda,

Porque é tarde demais.

Nem que compreenda,

Pois não adianta mais.

Presente de um Ano Novo

A meia noite de um novo ano,

Deus me dera um Presente,

Pra eu poder começar,

Um ano novo diferente.

***

O presente que me dera,

Foi uma especial companhia,

De uma linda garota,

Que me encheu de alegria.

***

Garota contagiante,

Singelamente extravagante,

Que nessa virada de ano,

Tornou minha vida empolgante.

***

Com seus olhos acastanhados,

De brilhos esmeralados,

Como ilhas esverdeadas,

Perdidas em meio ao nada.

***

Sua tez fina e delicada,

Como a seda, graciosa,

De beleza agraciada,

Naturalmente vaidosa.

***

Se Deus assim permitir,

Quero em su'alma encontrar-me,

Se tal destino se cumprir,

Quero com esta atar-me.

 

 

 

Deliciosa Ganância

Quero te ver em meus braços,

E nada importa mais,

Quero envolver-te em meus laços,

E não te largar jamais.

***

Quero num beijo envolver-te,

E nesse instante abraçar-te,

Junto ao meu corpo prender-te,

E assim dominar-te.

***

Quero tu'alma prender,

Dentro do meu coração,

E se um dia te perder,

Perco da vida a razão.

***

Lágrimas fogem de mim,

Com medo de não gostar,

Da minha maneira e assim,

Querer-me então rejeitar.

Chorão

Recaptulação

Passo pela porta

Vejo minha mãe

Vou para meu quarto

Já quero dormir.

 ***

Passo pela porta

Jogo minha mochila

Vejo minha mãe

Vou para meu quarto

Já quero dormir.

 ***

Passo pela porta

Jogo minha mochila

Vejo minha mãe

Como o meu lanche

Vou para meu quarto

Já quero dormir.

 ***

Passo pela porta

Jogo minha mochila

Vejo a minha mãe

Como o meu lanche

Vou para meu quarto

Me jogo em minha cama

Já quero dormir.

 ***

Passo pela porta

Jogo minha mochila

Vejo a minha mãe

Como o meu lanche

Vou para meu quarto

Me jogo em minha cama

Já quero dormir

Já não durmo mais.

 

IMPOSSÍVEL DESEJO...

Você me olha e não me vê,

Como se eu fosse invisível,

Não sabe que eu quero você,

Mesmo que seja impossível.

 

Eu te olho, te desejo,

Te imagino junto a mim,

Me aproximo, quero um beijo,

Mesmo que não sejas assim.

 

Teu olhar eu não resisto,

Tão singelo e iluminado,

Quero abraçar-te, mas desisto,

Pois me sinto amedrontado.

 

Tua voz melodiosa,

Tenho prazer em escutar,

Como canção harmoniosa,

Faz-me querer te abraçar.

 

Mas de nada vai me adiantar,

Alimentar este desejo,

Vou ter que me acostumar,

A nunca provar o seu beijo.

 

Dolorosa Espera

Coração acelerado,

Ansiedade pura,

Se eu não o ver logo,

Acho que irei a loucura.

***

Minhas mãos tremem,

Minha alma vibrante,

Meus lábios adormecem,

Minha insônia é constante.

***

Na barriga sinto um frio,

Meus pés estão a gelar,

No meu pescoço em arrepio,

Meu coração a disparar.

***

Nesses versos eu expresso,

O que há no meu coração,

E que com muita certeza,

É muito mais que paixão.

Véu da Solidão

Vivo sendo enganado,

De mentiras rodeado,

Pelos falsos estou cercado,

E na ira estou atado.

***

Meus amigos não enxergam,

O que há dentro de mim,

Os ruins enxergam mais,

E me afundam mesmo assim.

***

Com a língua afiada,

Espalham todos meus segredos,

Com a matraca afrouxada,

Multiplicam os meus medos.

***

Minha alma está rasgada,

Meu coração partido,

Estou perdido em meio ao nada,

Com sentimento ferido.

***

Assim termino meus versos,

Com lágrimas manchando o papel,

E a solidão vem quieta,

Lançando em mim o seu véu...

 

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